quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

2ª temporada: Capítulo 16 - Return

Demi Narrando

                -Está aqui. – eu entreguei o pacote cheio de dinheiro pessoalmente ao Petrova. Mais uma quantia a menos na minha dívida. Mas ainda falta bastante para me ver livre desse cara.
                Ele verificou rapidamente a quantidade de dinheiro dentro no pacote e logo depois o largou em cima da mesa. – Contarei melhor mais tarde. – ele continuou me observando e acendeu o seu charuto. –Como conseguiu tanto dinheiro, mi bella? – a fumaça de cheiro forte tomou conta do luxuoso escritório de sua mansão.
                -Eu consigo me virar quando posso. – eu disse sem querer detalhar muito como consegui essa grana extra. Mas com certeza ele já deve ter notado que foi de forma ilegal. Pelo menos ele não fez questão de querer saber detalhes para não se aborrecer, talvez.
                Descolei uma boa grana enganando um antigo apostador. Suas apostas sempre são infalíveis e lhe rendem muito dinheiro. Na sua grande aposta na noite passada, eu estava presente no glamoroso cassino da cidade vizinha, obviamente a espreita para conseguir passar a perna em um apostador rico e bêbado. O dinheiro que consegui não chega aos pés da sua conta bancária, mas era uma boa quantia.
                -Muito bem... – ele balançou a cabeça. – Vejo que tem conseguido bons extras além dos seus serviços para mim.  Mas agora preciso de uma ajuda sua. Ajuda não, trabalho.
                -O que você quer dessa vez, Petrova? - eu suspirei cansada e cruzando os braços.
                -Preciso que você substitua Mateo por tempo indeterminado. – ele puxou mais fumaça daquele charuto e depois o soltou. – Será melhor para você. Vai gostar.
                -O que houve com Mateo? – perguntei curiosa.
                -Ele e outros homens irão se dedicar a um serviço especial. – ele respondeu com o seu ar de mistério.
                -Deixa eu adivinhar: o tal serviço especial tem alguma coisa a ver com a tal louca que matou o Bruno e o seu namorado rico? – perguntei irônica.
Não tem o porquê de ficar escondendo mais de mim. É o que mais se fala entre os seus funcionários. Entre murmúrios, fiquei sabendo sobre o tal amigo do Leandro que está fazendo sabe-se lá o que com esses dois, mas que está recrutando homens do sistema do Petrova para se meter nisso. A coisa tem ficado cada vez pior para esses dois e a minha curiosidade só cresce para descobrir qual é o motivo por ter atraído tanta confusão pro lado deles.
-Sim. Isso mesmo. Mateo agora estará dedicando a outros serviços e alguns setores estão faltando algumas pessoas para gerenciar. Preciso de você em uma delas. Estou confiando a você um cargo importante.  Espero que não me decepcione outra vez. Ainda estou de olho na senhorita. E se me aprontar de novo, não terá segundas chances. Me ouviu bem?
-Ouvi. – rolei os olhos.
Minha curiosidade estava me matando pra perguntar coisas sobre essa confusão e o que ele ganharia com isso. Mas saberia muito bem que ele não me responderia e me daria um fora por não ser da minha conta. E ele teria razão. Não é da minha conta.


Miley Narrando

Larguei o estilete em cima da mesa mesmo, e pulei para um abraço apertado. Pulei literalmente, dando impulso para envolver minhas pernas em seu quadril e me agarrar a ele com a intenção de largá-lo nunca mais.  Nick riu da minha reação e apertou o abraço ao meu redor.
-Pelo visto, você nem sentiu tanta falta de mim assim. - ele brincou.
-Não mesmo. - eu beijei a ponta do seu nariz e sorri a poucos centímetros do seu rosto. - Mas por algum motivo desconhecido, eu não vou desgrudar de você tão cedo.
Nossas bocas se juntaram num beijo lento e gostoso, que me fez lembrar muito bem o porque de pensar tanto nesses lábios, antes mesmo me descobrir apaixonada por ele. Os lábios macios deslizando entre os meus e o seu delicioso perfume fazendo presença, me fez sentir realmente que estou em casa.
-Apesar de ter estragado todo o meu plano de recepção pra amanhã, eu adorei você ter vindo mais cedo.
-Você tava planejando alguma coisa, é?
-É, principalmente esconder o amassado do seu carro que bati. - eu respondi. Sua boca se abriu em horror e seus olhos estreitos estavam preparados para me fuzilarem, mas eu soltei uma risada e Nicholas se tocou que era uma brincadeira.
-Isso é algum tipo de vingança pelo susto que eu te dei? Porque se for, você conseguiu, porque quase me fez morrer e voltar agora.
-Agora estamos quites! - eu respondi, dando  uma piscada de olho. - Eu realmente estava pensando em fazer alguma coisa. - eu desci do seu colo.
-Você sabe que eu ainda vou aceitar de muito bom grado essa recepção. Posso até fingir que vou chegar amanhã, se quiser.
-Agora não dá mais, Nick. - eu disse rindo.
Nicholas me abraçou pela cintura e me deu alguns beijos carinhosos pelo pescoço. - Vamos andar na praia um pouco?- balancei a cabeça positivamente, ainda sentindo meu corpo completamente relaxado em resposta aos seus carinhos. Sabia o quanto ele adora a praia daqui e estar nesse lugar para ele é tão necessário quanto água.
Fomos juntos pra lá caminhando de mãos dadas. Estava ansiosa pra saber o que aconteceu em Los Angeles enquanto Nick esteve por lá e torci para que ele não perguntasse com muitos detalhes sobre as coisas que aconteceram aqui na Itália nesse meio tempo.
O vento úmido, frio e carregado com o cheiro do mar bateu em minha pele de uma maneira agradável. O céu encoberto não mostrava nenhuma estrela hoje, dando sinal que a chuva estava por vir.
-Então, como foi lá em LA? - perguntei curiosa.
- Por incrível que pareça, foi tudo muito tranquilo. - ele respondeu, enquanto caminhávamos pela areia macia. - Meu pai continua esquisito. Mas um esquisito bom... Você acredita que quando eu disse provavelmente não me veria como presidente da empresa, ele disse que eu não deveria  sentir pressionado por ele com isso e que eu deveria ser feliz?
-Isso não é muito a cara dele. - eu comentei.
-Pois é. Ele está bem diferente, até agora eu não entendi muito bem o motivo, mas ele está diferente.
-E o Brian? Continua apaixonado por Christine?
-Tanto ele, quanto ela. -Nick respondeu sorrindo.
-Como assim?
-Brian se declarou pra ela. E pelo jeito, ela retribuiu. Eles estão saindo escondidos. - Uau! Ok, essa é uma novidade e tanto! Nick percebeu minha expressão de surpresa e riu.- Eu sei, também fiquei surpreso.
Nos sentamos na areia, de frente para o mar, enquanto ele me contava todas as novidades, mas não durou muito tempo. Nick logo tentou mudar o assunto para a situação daqui.
-Onde está o Chad? - ele perguntou, só se tocando agora da ausência do meu amigo. -Quando cheguei em casa não tinha ninguém.
-O Chad foi embora mais cedo. - eu disse, tentando parecer mais neutra possível.
-Por quê? O combinado não era ele estar presente até que eu voltasse?
-Ele tinha algumas coisas para resolver e como eu sabia que você viria amanhã, eu meio que liberei ele. Além do mais, ele tem a vida dele para cuidar, também, né? - eu desconversei. - As coisas estão tranquilas por aqui. Não tinha necessidade em ficar o prendendo em casa.
-Miles, - ele me disse num tom sério e eu já imaginava o que iria falar a seguir. - Você tem certeza que não aconteceu nada? Por quanto tempo você está sozinha na casa? - ele perguntou preocupado.
-Está tudo bem! É sério.
-Miley, olha nos meus olhos e me diz que não aconteceu nada envolvendo você e Petrova. - ele continuou a insistir. Seus olhos escuros me fitaram firmes. Droga! Odeio mentir pra ele.
-Não foi nada demais... Eu apenas procurei resolver alguma coisa, mas acabou não dando em nada. O Chad estava comigo no dia.
-O que aconteceu?
-Eu procurei uns capangas dele por aí... Para tentar fazer um acordo com Petrova. Não deu em nada. Só em mais suspense. Nem o nome do tal amigo que está por trás disso eu consegui.
-Eu te pedi para que ficasse na sua, pra que não se arriscasse. - seu tom de voz era reprovador.
-Uma hora a gente vai ter que resolver isso, Nick. Mais cedo ou mais tarde. - eu apoiei minha mão sobre sua bochecha carinhosamente. - Eu sei que você se importa comigo e tem medo de que alguma coisa aconteça. E eu te amo por isso. - eu dei um beijo na sua boca e afastei meu rosto para dizer –Mas eu não conseguia ficar parada esperando o tempo passar, sem conseguir saber de nada, sem conseguir resolver nada... Eu tinha que fazer alguma coisa.
-Nós vamos resolver isso. Juntos. - ele respondeu, um pouco mais calmo. Mas ainda estava um pouco chateado por eu ter arrumado confusão enquanto ele esteve fora, a última coisa que ele queria. 
-Sim, nós vamos. - O vento jogava o meu cabelo para o lado oposto do Nick e tentei colocar algumas mechas atrás da orelha para que não fiquem no meu rosto. -Só não fica bravo comigo. Eu te ajudo a pagar as multas do carro, prometo. - eu mudei de assunto, o fazendo quebrar o semblante sério e abrir um sorriso.
-Ele está inteiro, pelo menos, né? - ele perguntou mais relaxado. Eu assenti. -Que bom, porque eu vou adorar ver você correr um dia desses. Não é justo eu não estar aqui quando isso aconteceu. - ele disse olhando para o horizonte. – Você só se diverte assim com o Chad.
 -Está com ciúmes? - eu perguntei brincando.
Ele desviou o seu olhar para mim, de lado. Ele tentou disfarçar expressão que já o entregava. - Não.
-Uhum. - eu ri e ele abriu um sorriso tímido, sem conseguir disfarçar direito.
-E aí? O que mais aconteceu por lá? Alguém novo na parada? - eu perguntei sem muito interesse.
-O que? - Nick voltou o olhar pra mim, sem parecer entender a minha pergunta.
-Estou perguntando se apareceu alguém de fora por lá. Alguma novidade de fora. Não sei, talvez tenha a ver com o comportamento do seu pai.
-Não. -ele respondeu prontamente. - Só um amigo antigo dele que voltou pra cidade. Nada demais.
Ele voltou o olhar para o horizonte. As gaivotas voavam agitadas pra longe da praia, já prevendo a chuva que virá em breve. Ele pegou a minha mão e a entrelaçou entre os seus dedos. Era uma sensação boa. Estar com ele de novo. Nem que seja sem falar nada por um tempo, só curtindo a presença do outro. Nick durante esses meses não se tornou só o meu namorado, masmeu amigo, confidente, receio dizer que meu lar também. Como era estranha a sensação de tê-lo de volta por perto.  Não quero soar boba, mas parece que tudo muda.
As palavras de Chad voltaram para minha mente.

"Se ele confia tanto em você, por que você acha que ele não deve saber? Ele já sabe de tanta coisa sobre você. "

Eu deveria contar, eu deveria confiar nele pra que eu pudesse cobrar alguma confiança. Quanto mais tempo que guardo isso comigo, mas receosa fico com a sua reação. Nick merece saber, mas elevai achar que escondi por tanto tempo por algum motivo. Já o magoei outras vezes, já quebrei o seu coração com todas aquelas mentiras. E se ele não estiver mais preparado pra lidar com mais uma?
"Você nem deveria ter ficado com Nick para começo de conversa.  Aliás, por quanto tempo você acha que isso que você tem com ele vai durar?"

Eu apertei a sua mão e deitei minha cabeça no seu ombro, ainda mais próxima do seu perfume, tentando me aconchegar mais ao seu corpo. Senti a sua mão me soltar e o seu braço me envolver, me puxando mais pra perto de si.
-No que está pensando? - ouvi sua voz soar baixa.
-Não quero perder você. - escolhi responder sinceramente dessa vez.
-Você não vai. - surpreendentemente ele não questionou o motivo de eu estar pensando nisso e foi um alívio. - Você me tem, você sabe disso. Só... Seja mais cuidadosa. A gente não vai perder o outro se não me metermos em encrenca. - ele beliscou meu braço e eu ri da sua indireta sobre minha impetuosidade.
-Tudo bem.
Eu inclinei minha cabeça para olhar para cima e encontrar seus olhos me encarando. Ele não parecia querer adivinhar o porque daquilo. Não era nenhum de tipo de invasão, talvez um pouco de curiosidade? Mas principalmente segurança. Carinho e segurança. Era isso que Nick representava para mim, além de todos os nossos conflitos, história e desejos incontroláveis. Uma combinação perfeita pra mim que sou o caos ambulante.
-E no que você está pensando? - disse tão próxima do seu rosto, que meus lábios de roçaram nos seus quando eu falei.
-Que eu amo você. Gosto quando você se abre pra mim assim. - Talvez ele falaria um pouco mais se nossas bocas não estivessem prestes a se beijarem.

Não nos beijamos por muito tempo. O vento começou a ficar mais intenso e senti algumas gotas grossas caírem isoladas. Ele olhou pra cima e percebeu mais gotas caírem no seu rosto.
-Acho que já está na hora de ir pra casa. - ele comentou se preparando pra levantar.
Me levantei também. O céu se iluminou com um relâmpago. E logo a seguir, o trovão ressoou alto.  As gotas começaram a cair com mais intensidade e quantidade e percebi que não daria tempo de chegar à casa seca. Nós começamos a correr em direção a casa.
Não dava pra correr muito rápido naquela areia fofa. A chuva se intensificava enquanto nós dois nos encharcávamos. O vento forte jogou uma boa quantidade de areia em nós e Nick riu da situação quando eu xinguei alto. Mas logo após a boa quantidade de água lavou a areia embora até entrarmos na enorme varanda na entrada da casa.
Chegamos em casa encharcados. Abri a porta rapidamente e entramos logo para a parte de dentro para nos livrar da forte chuva lá fora. Ali estava mais quentinho e aconchegante, apesar de eu ainda estar com a pele gelada e arrepiada. Apoiei minhas costas na porta atrás de mim, terminando de recuperar o ar e abri um sorriso pra Nick que rapidamente retribuiu o sorriso. Nick espalmou uma das mãos na porta atrás de mim, me colocando entre e ele e a porta.
-Choveu assim no último dia seu aqui antes da viagem e agora quando você chegou. Acho que não é coincidência - comentei.
-Acho que o tempo daqui não está muito ao meu favor. - ele disse ainda com um sorriso charmoso no rosto. Próximo demais de mim.
-Ou talvez esteja. - sussurrei observando o quão sexy ele estava. Ele não fazia ideia o quanto estava terrivelmente irresistível. Não fiz questão de disfarçar a varredura que meu olhar fez por ele inteiro.
Uma troca de olhares intensa tomou conta daquele momento.  Uma tensão entre nós, deixando o ar cada vez mais denso. A água da chuva caia em gotas do seu cabelo molhado pra o seu rosto, delineando os seus traços e fazendo que eu fique cada vez mais atraída pelo Nick. O único som que se ouvia eram nossas respirações ainda entrecortadas pela corrida e a chuva caindo lá fora.
Aquele olhar torturante sobre mim.
As gotas de água correndo pelo seu rosto e corpo.
Aquela boca maldita me convidando para mais de seu gosto.
Sua respiração batendo em mim.
Sabia que Nick também estava gostando da visão a sua frente e aquele ambiente não estava ajudando nenhum pouco a resistir um pouco mais. Não aguentamos esperar por mais tempo.
O beijo veio de supetão e urgência. Juntei meu corpo com o dele, quando ele me puxou pela cintura para perto de si e eu o abracei forte. Sua pele também estava gelada, mas eu sabia que não era por muito tempo. Um beijo intenso o suficiente para compensar todos esses dias longe da sua boca. 
Sua pele fria junto à minha igualmente gelada não me incomodava nenhum pouco. Mas aquelas roupas... Ah, aquelas roupas eu vou ter que me livrar delas agora mesmo! O beijo era desesperado pelo gosto e textura de sua boca, o mesmo era a sua situação. Ainda durante o beijo, senti ele tirar o meu cabelo de cima dos meus ombros, deixando minha nuca livre. Nicholas quebrou o beijo para se preparar para dar mais atenção ao meu pescoço, mas eu troquei as nossas posições, o jogando contra a parede e o encurralando dessa vez.
Lambi a sua mandíbula dos dois lados, sentindo o gosto salgado da água da chuva em sua pele, com uma lentidão que o estava deixando cada vez mais excitado e impaciente. Ele apertou as laterais do meu quadril com força. Mordi o seu queixo, o lambi logo depois, fazendo uma trilha de volta para a sua boca avermelhada, levemente inchada e convidativa.  Ele logo enfiou suas mãos para dentro do meu short para conseguir apertar minha bunda com vontade.
Só ali tomei consciência do quanto estava sentindo falta de cada pedacinho de seu corpo, do seu gosto, textura e cheiro.  Contornei seus lábios com a língua com a mesma lentidão e voltamos ao beijo por mais alguns minutos.
Dessa vez, Nick conseguiu tomar o controle e me puxar pelo cabelo, para que finalmente pudesse se deliciar com o meu pescoço. Aquele gesto bruto e ousado fez minha respiração descompassar e minha intimidade latejar. Seus lábios e língua quentes em contraste com a minha pele ainda gelada me fizeram fechar os olhos instantaneamente quando entraram em contato. Ele distribuía beijos molhados, lambidas e mordidas tão sutis que me faziam arrepiar e às vezes mais fortes, me provocando gemidos e me fazendo imaginar afoita o que ele faria comigo daqui a alguns minutos.
Puxei sua camisa ainda grudada no seu corpo para cima e Nick se afastou para que eu pudesse tirá-la, finalmente. Admirei seu tronco e braços expostos e molhados por alguns segundos, enquanto já me adiantava em desabotoar a sua calça.  Parece que eu nunca ia conseguir me cansar desse corpo. E o safado sabia disso. Ele sabia o quanto esse corpo me deixava atraída.
 -Gostou? - ele perguntou com um sorriso cafajeste no rosto, enquanto chutava os seus sapatos pra longe e terminava de descer sua calça.
-Você sabe que sim, gostoso. - eu dei mais um beijo em seus lábios quando ele se voltou de pé, finalmente, apenas de cueca. Senti suas mãos alcançarem a minha blusa.
 -Como eu quero você agora, Nick. - a frase saiu como um gemido de minha boca e dei mais outro beijo forte em sua boca antes dele tirar minha blusa e jogá-la longe pra desabotoar o meu sutiã com rapidez.
-Eu to viciado em você, encrenqueira. - ele sussurrou distribuindo beijos no meu pescoço e colo, enquanto desabotoava o meu short. Suspirei sentindo a maciez dos seus lábios na minha pele. Empurrou minha calcinha pra baixo junto com a peça jeans, me deixando completamente nua, e sua boca encontrou meus seios. Afastou a boca por um momento e encarando meus olhos. - Eu não conseguia parar de pensar em você. Eu não conseguia parar de pensar no que eu faria quando tivesse você por perto. - Ele lambeu e chupou um dos meus mamilos. -Eu sou louco por você, Miles. Eu tenho fome de você.  -Eu não pude evitar um suspiro. Puxou com os lábios e sugou mais uma vez, colocando máximo do meu seio que podia na boca. Sugando com desespero e voracidade. Eu gemia, apreciando a sua boca deliciosa trocar de seio e dessa vez ser menos bruto, me estimulando mais com as suas habilidades com a língua.
Essa fome era recíproca. Meu corpo e minha mente imploravam por ele de uma forma que não dava mais pra controlar.
Ele finalmente largou os meus seios. Consegui respirar com mais controle, pelo menos por poucos segundos. E tudo o que eu conseguia pensar era no bendito momento que estarei sentando nesse homem. Esperei Nick se levantar para, finalmente, eu conseguir arrancar aquela sua cueca, mas ele aproveitou a posição e continuou distribuindo beijos e mordidas pela minha barriga. Ele levantou uma das minhas pernas e a colocou por cima do seu ombro. 
-Oh, merda. - eu deixei escapar, quando ele aproveitou a minha posição mais exposta agora e aventurou a sua língua safada por entre os meus lábios, alcançando em cheio o meu clitóris. Ele chupou e eu tive certeza que eu não ia aguentar ficar em pé assim por muito tempo. Nick continuou a me chupar e os meus gemidos foram aumentando e minhas pernas foram fraquejando cada vez mais. - Nick, por favor...
Ele atendeu meu pedido finalmente se levantou na altura do meu olhar, com suas mãos correndo pelo meu corpo. Uma parte de mim se arrependeu por não ter esperando até cair no chão, enquanto aproveitava sua boca deliciosa me fazendo ir à loucura.
Deitamos no tapete mesmo e rolei sobre o seu corpo pra ficar em cima dele. Dei mais outro beijo quente e desesperado em Nick e ele retribuiu igualmente afoito. Não enrolei mais e me posicionei sobre o seu pau. Sentei nele lentamente e meus olhos se fecharem em exctasy no mesmo momento, quando eu deixei um gemido arrastado sair de minha boca. Comecei a me movimentar com mais frequência e abri os olhos para encarar o Nick observando com um olhar safado o meu corpo e como eu estava me movimentando no seu colo, mordendo seu lábio inferior como se dependesse sua vida disso. Aumentei a velocidade dos meus movimentos, enquanto aumentava os meus gemidos.
-Ah, Miles. Assim você acaba comigo. - ele disse com sua voz arrastada de prazer. Pendeu sua cabeça pra traz e continuou mordendo o seu lábio.Nick tentou olhar para outra direção e eu sorri. Ele sempre faz isso para se concentrar e controlar o seu orgasmo. Continuei a sentar mais rápido para provocá-lo.
-Está planejando me foder mais de uma vez seguida, amor? - a palavra amor conquistou um sentido muito mais erótico com a minha voz depravada.
-Até você não aguentar mais. - ele respondeu ofegante. - Quero compensar tudo de uma vez.
Deixei de sentar em cima dele e passei a cavalgar sobre o seu membro, já pulsante dentro de mim. -Duvido que você consegue se segurar nessa. - desafiei, em movimentos rápidos e gemi logo em seguida.   – Você está tão perto de gozar, não vai aguentar por muito tempo. – continuei o atiçando. Senti uma das suas mãos apertarem meu peito, enquanto a outra segurava com força a lateral do meu quadril.  
-Quer apostar? - ele segurou meu quadril e passou a movimentar também, tirando e botando o seu pau dentro de mim enquanto eu rebolava em seu colo. Eu já estava bem perto, mas ele também não estava tão longe assim de gozar.
-Quero. - adoro desafiá-lo. Isso só o fazia ficar ainda mais selvagem comigo. - Se conseguir me fazer gozar duas vezes seguidas, eu dou minha bunda pra você.
-Ah é? - ele continuou firme, com estocadas rápidas e fortes. Ele abriu um sorriso sem vergonha pra mim.
-Todinha sua. - eu disse já ofegante. E continuei gemendo.
Seus olhos me encararam mais escuros que o normal antes de se fecharem. Ele continuou numa mesma velocidade constante do que eu estava.  Nick já tinha percebido que era velocidade perfeita pra mim e que assim eu não aguentaria por muito tempo. O orgasmo estava chegando e eu sei que vai ser intenso, me queimando de dentro para fora até eu me incendiar por inteiro. Nick abriu os olhos para me encarar novamente. Meus gemidos foram ficando cada vez mais frequentes. E o clímax chegou.
Mal tive tempo para retomar a minha respiração, Nick me colocou deitada no chão. Se colocou em cima de mim e penetrou mais uma vez na minha boceta encharcada, resultado do orgasmo recente. Nick levantou minhas coxas, o suficiente para facilitar seus movimentos, estocou forte e rápido. Ele xingou baixinho, enquanto franzia sua testa. Ele estava louco para gozar, mas ele não ia sossegar até cumprir o meu desafio.  Minhas pernas tremiam com o estímulo na minha intimidade ainda tão sensível.  Meu corpo inteiro estava sensível demais, qualquer movimento e carícia eram explosivos em mim. E puta merda, como estava bom!
Eu já estava percebendo que esse orgasmo viria mais cedo do que o primeiro. E a minha teoria se confirmou quando minha intimidade latejava forte junto com o pau incansável e firme de Nick, que não diminuía a velocidade e força das suas penetrações nem se o mundo acabasse. E ele estava acabando ali mesmo pra mim, que não aguentava mais conciliar a respiração com os gemidos altos. Me agarrei às costas largas do meu namorado e arranhei até perder as forças num orgasmo que me fez os meus músculos do corpo inteiro se contraírem tão forte que eu senti até os dedos do meus pés se fecharem.  Em seguida um delicioso relaxamento.
-Nick…- gemi ainda fraca. Ele continuava sem parar e eu já sentia que não aguentaria mais. -Goza pra mim. Vem, amor. - pedi em gemidos manhosos.
 Mas ele não parou até que em poucos segundos senti o orgasmo chegar, mas dessa vez menor e menos intenso. Mais outro e mais outro. Três de uma vez só, Nicholas sorriu com resultado. Ele finalmente relaxou e depois de poucas estocadas soltou um gemido de alívio e prazer. Senti seu líquido quente me invadir e, finalmente, Nick chegou ao seu ápice também. Logo depois ele veio de encontro a minha boca pra mais um beijo intenso, mas dessa vez mais lento e paciente. Depois que separamos o beijo, o maldito abriu um sorriso vitorioso com a sua conquista de orgasmos múltiplos, quase esfregando na minha cara.
-Quem você disse que não ia aguentar, mesmo? - perguntou provocativo.
-Pode parar com esse sorrisinho metido. - eu coloquei a mão sobre a sua boca, que o fez rir ainda mais, afastando minha mão do seu rosto.
-É só me aguardar que no banho eu quero o meu premio, ok?
-Ok. Foi merecido. -eu pisquei e beijei o canto da sua boca.
-Merecido, não. Muito mais que merecido. - ele continuou convencido. Rolei os olhos de brincadeira.
-Cala boca e me beija, Jonas. - o puxei pra perto de mim.
Já algum tempo depois, eu e Nick tomamos o nosso banho. Nunca vi o Nick tão ansioso para tomar um banho quanto hoje. Depois de algumas preliminares debaixo do chuveiro, Nick finalmente teve o seu “prêmio” da aposta que eu fiz. Apesar de ter sido bem prazeroso pra mim, dessa vez quem ficou tonto de tesão foi ele. Ficamos tanto tempo distraídos um com o outro durante o banho, que só saímos de lá quando percebemos nossos dedos enrugados por causa da água. Desculpa, Mãe Natureza, mas eu precisava compensar muito bem as saudades do meu Nick.
Coloquei logo a minha camisola e Nick vestiu sua calça de moletom que gosta usar pra dormir. Nicholas se jogou na cama ao meu lado, me puxou pra sua direção, encostando seu tronco nu em minhas costas. Cheirou o meu pescoço e me deu um beijo ali. Ri do modo que ele não conseguia me largar. Ele se aproximou do meu ouvido.
-Não ta merecendo muito, mas eu trouxe presente pra você. –ele disse ainda me abraçando pela cintura.  
-Por que não estou merecendo?
-Você quebrou a promessa de não se meter em confusão, enquanto eu estivesse em LA, lembra? – ele brincou com o meu cabelo.
-Ah, mas nem foi tanta confusão assim... Na maioria dos dias eu me comportei. – eu ouvi ele rir baixo. – Eu mereço, sim.
-Ta bom, ta bom...  Vamos fingir que sim. Quer ou não quer ver meus presentes?
Me virei em sua direção e sorri entusiasmada. – O que você trouxe? – perguntei curiosa.
-Espera aí.  - ele levantou da cama e foi buscar o que tinha comprado pra mim. Esperei ansiosa como uma criança, enquanto ele arrastava uma das suas malas de viagem e me toquei que aquela mala que ele trazia em minha direção era nova.
Ele abriu a mala e vi várias sacolas e coisas embrulhadas lá dentro. Dei um grito de animação e ele riu da minha reação. Uma das sacolas tinha vários doces e guloseimas americanas que eu sentia falta de comer e vivia lamentando que não vendia por aqui. Não acreditei que ele se lembrou disso. Achei muito fofo o modo que lembrou desses detalhes para trazer para mim.Trouxe algumas roupas pra mim, artigos de sex shop para usarmos juntos, alguns cosméticos para mim e lembrancinhas bobas que eu adorei. Eu o abracei e o enchi de beijos, depois de agradecer pelos presentes.
Ele tirou a capa preta de dentro da mala. E imaginei que fosse o terno que usou na festa.  –Só falta um pouco de álcool pra me embebedar de terno pra você. – Nick piscou pra mim antes de guardar em seu closet. Sorri, lembrando da nossa ligação quando ele estava na festa.
Ficamos conversando mais sobre as coisas que sobre a sua volta em Los Angeles, até que ouvi seu estômago roncar.
- Esquecemos da comida! – eu disse, me tocando de que também estava com fome. Fiquei com pena do Nick quando lembrei que ele devia estar há algum tempo sem comer, já que acabou de voltar da viagem.
Descemos pra preparar alguma coisa para comer e depois voltamos para o quarto.


Demi Narrando

                Já era final da tarde, quase de noite quando separava algumas coisas na minha bolsa pra descer para o bar. Não tinha muito que fazer nesse lugar e a última coisa que quero arrumar é vínculos aqui. Pelo menos beber, mesmo que sozinha, não me mataria de tédio enquanto não estava trabalhando como uma escrava de dívida para Petrova.
                Não vejo a hora de quitar essa maldita dívida para dar o fora daqui. Essa cidadezinha, com todo o seu charme e beleza só consegue me dar nojo com todas as lembranças e momentos que ainda vivo aqui. Quero ir para um lugar bem longe que não me traga mais nenhuma lembrança do maldito Wilmer e o meu amor cego por ele, de preferência uma cidade grande, e recomeçar a minha vida do zero.
Ouvi a campainha do meu apartamento tocar. Estranhei, pois não recebo visitas aqui, graças à minha falta de vínculo com qualquer um dessa cidade e, pelo horário, certamente não é alguém do correio. Fui atender a porta e me deparo com um rosto familiar. Mateo. Eu não tenho muito contato com ele, mas eu o conhecia de vista. Era um rosto comum que perambulava pela grande mansão do Petrova frequentemente.
Puxei o ar, na esperança de puxar um pouco mais de paciência junto com ele e o soltei num suspiro de tédio. - Me diz que você só veio dizer um alô e que não é nada a ver com trabalho.
-Olá, Demetria. Obrigado por receber tão bem em sua casa. Estou muito bem, obrigado por perguntar.  - ele disse irônico, adentrando a minha sala de estar, sem se importar em esperar uma permissão minha.
-Eu vou descer agora mesmo pra beber e relaxar. Então acho bom isso ser rápido, seja lá o que você queira me dizer.
Ele se sentou no meu sofá e tirou do bolso do seu casaco um envelope. O estendeu para mim, assim que me aproximei dele. - Senhor Petrova me mandou entregar isso para você. Uma quantia extra para você pagar as contas e manter a casa.
Eu franzi a testa. -Por que ele me entregaria dinheiro para me manter, se eu que estou devendo a ele? - eu já retirava uma parcela do dinheiro que conseguia para pagar a ele pra mim. E ele sabia muito bem disso.
-Ele é um homem justo e tem maneiras inteligentes para manter seus funcionários. - ele respondeu.
-Eu não sou funcionária dele. - eu respondi, enquanto verificava rapidamente a quantidade modesta de dinheiro que tinha no envelope. Não era muito, mas me ajudaria bastante.
-Você tem potencial para ser quando... bem, quitar as suas dívidas. - ele deu de ombros e continuou a falar. - Bom, mas não é por isso que estou aqui. O chefe já deve ter te informado sobre a minha mudança de tarefas e que você vai me substituir no meu antigo cargo.
-Sim. - eu me sentei ao seu lado.
-Como ele não tem garantia cem por cento em você ainda, ele quer que você trabalhe acompanhada no começo, por mim ou por algum dos meus parceiros. 
-Eu já imaginava... 
-Você é bem inteligente, de acordo com o senhor Petrova. Ele achou que ocupar o meu lugar temporariamente seria uma boa ideia. É algo relacionado a repasse de informações e algumas outras coisas que irei explicar melhor na prática a partir de amanhã, tudo bem?
-Ok.
Ele checou o seu relógio de pulso. – Droga, já está em cima da hora. Queria mais tempo para te adiantar algumas coisas, mas tenho alguns problemas pra resolver agora. O chefe quer que estejamos prontos de noite. – imaginei que ele se referia a alguma coisa do seu novo serviço.
-Ótimo. Também tenho compromisso hoje.  –eu disse.
-Você não disse que iria descer para beber e relaxar? – perguntou desconfiado.
-Um compromisso comigo mesma. – respondi indiferente. Me levantei e caminhei até à porta para abri-la, num sutil gesto de expulsão da minha casa.
Ele balançou a cabeça negativamente antes de caminhar para fora do meu apartamento. –Até amanhã, Demetria.  Nos encontramos na mansão.
-Até. – respondi.
Voltei a atenção pra minha bolsa, me preparando para descer. Mas antes, notei que o meu notebook, que se encontrava em cima da mesinha de centro, ainda estava ligado. Me sentei no sofá rapidamente para fechar as janelas do navegador antes de desligar. Fechei a janela de uma página interessante que tinha esquecido o nome e que ainda não tinha visto tudo. Decidi verificar rapidamente no histórico para conseguir salvar a tal página nos favoritos.
Abri a parte do histórico e então, meu cérebro se iluminou instantaneamente numa ideia. Wilmer também utilizava esse notebook enquanto morávamos juntos.  Talvez, eu encontre alguma pista sobre os seus planos depois de roubar os quinze milhões de Petrova...
Pesquisei mais a fundo e achei a parte mais antiga. Páginas que ele visitava, inclusive que visitou frequentemente na ultima semana antes de me largar. Eu abri um sorriso satisfeito. Opa, acho que o bar pode me esperar outro dia. Vou descobrir onde esse desgraçado está.

               
Miley Narrando
 

Acordei ouvindo a voz Nick me chamando. Seu tom de voz era baixo, com o cuidado de me acordar suavemente. Mas ele estava me chamando insistentemente, então abri os olhos. Seus olhos escuros foram as primeiras coisas que eu vi e abri um sorriso preguiçoso pra ele.
-Bom dia. - eu disse, esperando que me dissesse o mesmo e abrisse um daqueles sorrisos encantadores. Mas ao contrário do que eu esperava seus olhos não estavam transmitindo carinho como ontem. Estavam… aflitos. E isso me causou estranheza. Abri melhor os olhos e me sentei sobre o colchão. -O que houve, Nick?

-Tem uma coisa que você precisa ver. Eu detesto chegar pra você assim, desse jeito, mas... Quanto mais cedo melhor. - ele tentou manter um tom de voz calmo, pra não me apavorar, mas dava pra notar a sua tensão.
-O que está acontecendo? - perguntei curiosa.
Ele se levantou da cama e estendeu a mão pra mim. -Vem ver isso.
Ele me guiou em direção à sala. O que não tinha a menor necessidade de me guiar até lá, mas por alguma motivo, acho que ele quer manter sua mão me segurando.
Foi então que todo o meu calor se esvaiu e coloquei a mão sobre a boca em perplexidade, ao ver o grande espelho da sala escrito "Killer" em vermelho. Pela parede que sustentava o luxuoso espelho ainda escrito em vermelho tinham nomes que eu rapidamente reconheci. Eram nomes de algumas das minhas vitimas, fatais e não fatais. Mas elas estavam ali, estampadas na parede da minha casa me assombrando e me lembrando do passado.
-Eu encontrei isso em cima da estante, aquela debaixo do espelho. - Nick, ainda hesitante, entregou o papel para mim. -Nós vamos acabar com quem estiver por trás disso, Miles. - ele disse antes de eu ler o que estava escrito.

"Sei de tudo que te assombra, Cyrus. Sei os segredos. Sei dos seus próximos passos e dos seus medos.
Com carinho,
O seu pior pesadelo"


Eu não tinha reação. Eu simplesmente não sabia mais como reagir. 

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

2ª temporada: Capítulo 15 - Los Angeles (parte 2)

Miley Narrando
               
                Coloquei minha blusa simples de algodão de frente ao espelho e vesti minha inseparável calça jeans e coloquei uma jaqueta marrom escura. Coloquei meus sapatos e me olhei no espelho e notei que o meu visual não está lá entre os meus melhores dias, mas é suficiente para sair na rua sem chamar atenção. Já chega de ficar em casa esperando o tempo passar aguardando Nick chegar ou esperar que as coisas se resolvam sozinhas. Ainda tem alguém por aí metido com a máfia que sabe demais sobre mim e que estava interessado a se infiltrar na minha vida. Eu preciso saber quais são os interesses dessa pessoa e quem é o desgraçado que está por trás disso.
                Nick não está por perto? Ótimo, assim é bom para ele não estar por perto e se meter em perigo por minha causa. Mais um motivo para eu mexer os pauzinhos o mais rápido que eu puder. Chad está aqui em casa e como ele já é preparado, posso ter uma ajuda a mais. 
                Desci as escadas sentindo um cheiro bom de café da manhã e pude avistar Chad na cozinha preparando alguma coisa pra gente.
                -Bom dia! – eu disse enquanto entrava na cozinha. – E eu pensando que tinha acordado cedo hoje. Me esqueci do seu hábito. – não importava o dia, ele sempre acordava mais cedo do que todos na casa.
                -Bom dia. - Chad puxou os lábios em um sorriso. – E você? Acabou de acordar e já está vestida para sair? – perguntou tirando os olhos das panquecas que terminava de preparar para checar o meu visual.
                -Não estou arrumada. – eu comentei.
                -Não disse que está arrumada. Perguntei se está vestida pra sair. É diferente. – ele voltou a atenção para frigideira.
                -Uau, obrigada. – eu respondi sarcástica. Me sentei à bancada, de frente para ele. Chad serviu os dois pratos que estavam na bancada com panquecas.  –Vou procurar pistas do Petrova, quero falar com ele ou com um dos homens dele pessoalmente. – eu disse, tirando um pedaço da massa quentinha e comi rapidamente. –Hum... Está muito bom! Você precisa vir aqui mais vezes para fazer panquecas pra mim. – comentei distraída com a comida.
                Então notei que Chad me encarava sério, com a cara como se não tivesse gostado de ouvir o que eu acabei de falar.
                -O que foi? – perguntei confusa.
                -Eu vim pra cá justamente para garantir que fique segura e que não fique sozinha caso tentem alguma coisa. Aí você me diz que vai agora procurar Petrova para ter uma conversinha pessoalmente com ele? Miley, o que você tem na cabeça? – ele colocou a frigideira de volta no lugar e apoiou as mãos na bancada, olhando de frente pra mim.
                Parece que essa coisa de super proteção comigo deve ser contagiosa, não é possível! Primeiro o Nick, agora Chandler?
                -Um ano. Um ano sem me envolver com qualquer tipo de golpe ou missão e você acha que esse tempo já é o suficiente para eu me tornar uma garota ingênua e indefesa.  Qual é, Chad! O que você quer que eu faça? Que fique aqui, trancada nessa casa, esperando mais alguém a mando dele nos vigiar, chantagear via sms, ou sei lá mais o que ele planeja? Pra gente resolver esse problema logo, eu preciso saber qual é o motivo disso tudo. Preciso saber quem é que está pedindo favores para um mafioso como Petrova estar disposto a se meter na minha vida e do Nick. – eu olhei igualmente séria nos seus olhos. – Se você não concorda comigo, tudo bem. Mas eu vou de qualquer jeito.
                Ele parecia realmente sem paciência comigo, enquanto me encarava irritado. Suspirou pesadamente. – Já que você insiste tanto, então eu vou com você. Pelo menos vai ter alguém por perto. – sorri satisfeita com a persuasão.
                Terminamos o café-da-manhã e Chad se aprontou rapidamente para sairmos de casa. O plano é primeiro tentar rondar nos bairros mais perigosos para tentar conseguir informações de onde conseguir um contato com alguém que trabalhe para o Petrova. O resto eu pensaria depois.  Fomos no carro do Chad justamente para não reconhecerem o carro do Nick e tentar nos perseguir ou espionar.
Chegamos à parte mais barra pesada daquela cidadezinha e encontrei alguns caras na calçada da rua de algumas casas ou antigas lojas agora abandonadas. Eles devem ser fornecedores de alguém. Pedi para Chad parar ali por perto e logo saltei do carro, caminhando sua direção.
-Hey, você!  – eu chamei um deles.
-E aí? A linda aqui quer uma coisa boa? – ele perguntou com um sorriso malicioso, me checando de cima a baixo. –Chegou nova leva de êxtase e está fazendo sucesso. Nosso fornecedor conseguiu uma ainda mais pura. Quer?
-Não, não é por isso que eu vim aqui. Quer dizer, não quero comprar drogas. Mas quero conversar sobre o seu fornecedor. – eu disse cruzando os braços e logo senti a presença do Chad se aproximar ao meu lado. –Vocês trabalham pro Petrova, não é?
O rapaz logo fechou a cara e mudou totalmente o modo em que me olhava. Fitou Chad da mesma forma e deu um passo pra trás. Ele estava desconfiado de nós.  Antes que ele pudesse puxar uma arma ou talvez fugir, me antecipei.
-Eu não sou policial. – eu rolei os olhos. -Nem eu, nem ele. – eu apontei para o Chad ao meu lado. –Viemos aqui em paz. Só quero saber como eu posso conversar diretamente com Petrova. Preciso falar com ele sobre algumas coisas importantes.
-Pode dizer que eu passo o recado. – ele continua desconfiado. O seu companheiro que estava mais distante foi se aproximando de nós.  
-É um assunto complicado, preciso conversar com ele pessoalmente. – eu respondi. – Um acordo.
-Acordo de que? – o outro perguntou.
-Digamos que ele fez uma coisa que eu não gostei e ele tem o mesmo sentimento sobre mim. Só quero acertar as coisas com uma boa quantidade de dinheiro. Mas antes eu preciso ter uma conversa com ele e com o amigo dele. – eu joguei a palavra “amigo” no ar para eu ver se eles diziam algum nome. – Vocês sabem como eu posso entrar em contato com um dos dois?
-Amigo... – um deles disse, um pouco confuso. – Bom, o amigo dele que você deve estar falando, nenhum de nós temos muito contato. É mais fácil você falar com o senhor Petrova.  – droga, bando de imprestáveis. Eu suspirei irritada e cruzei os braços.
-E então? Será que eu não posso marcar um ponto de encontro com o chefe de vocês?
O outro que tinha se aproximado há pouco tempo ainda nos encarava com desconfiança.
-Qual é a garantia que temos que você é confiável? – ele perguntou.
-Vocês não precisam de garantia nenhuma. Quem tem que garantir alguma coisa é o seu chefe. – respondi impaciente. – Por que vocês não ligam pra ele? – os dois se encararam, com duvida se deveriam perturbar o Petrova. -Com certeza o que eu tenho pra dizer é de interesse dele.
Um deles desistiu com a desconfiança e pegou o seu celular do bolso e passou a digitar o número.  Chad me puxou um pouco mais pra longe deles.
-O que você está pretendendo fazer, Miley? – ele perguntou baixo, com tom de preocupação.
-Por enquanto, eu não sei. Só estou tentando arrumar um jeito de descobrir o motivo dessa palhaçada toda. – eu respondi no mesmo tom de voz. – O que vier está bom. Só preciso de respostas.
 -É, Miley. Mas se o que vier é um tiro no meio da testa, hein? – ele retrucou irritado.
-Isso não vai acontecer. E para de ser pessimista!
Me soltei dele e voltei a me aproximar dos dois caras. Um deles já estava falando ao telefone, provavelmente explicando a situação para Petrova e dando bons motivos para perturbar o seu chefe por telefone.
- Sim, ela tem sotaque americano... –ele respondeu a perguntas do outro lado da linha. Ele balançava a cabeça conforme ouvia instruções do mafioso e encarava cada movimento meu, como se eu fosse uma grande ameaça.
Esperei ansiosa o momento dele entregar o celular para mim, até que esse momento chegou. Coloquei o aparelho rente a minha orelha.
-Alô? Petrova?
-Miley Cyrus. –ele pronunciou cada silaba do meu nome com reprovação. –Por que será que eu não estou surpreso em reconhecer sua voz?
-Talvez porque os seus capangas já deram dicas obvias pra você? – respondi sarcástica.
-Posso saber o motivo de você estar se metendo com os meus homens aí? O que você quer tanto falar comigo?
-Bom, dessa vez quem está cheia de perguntas sou eu. Na verdade, não quero só respostas para minhas perguntas. Quero fazer um acordo.
Ele soltou uma risada do outro lado da linha. – Um acordo? O que você me propõe?
-Primeiro, respostas. Depois um possível acordo. Quero saber quem está pedindo favores para você e o porquê disso. Eu me entendo com essa pessoa misteriosa e faço um acordo com você. Te dou uma quantia bem generosa de dinheiro, em troca, você não se mete mais nisso.
-Você acha mesmo que eu sou um mercenário barato, Cyrus?
-Barato, não. Mercenário, talvez. Todos nós somos um pouco. Me diga o quanto está ganhando com esse favor que eu te dou mais.
-É uma proposta tentadora, Miley... – ele prolongou um breve silêncio e não pude conter um sorriso de satisfação.
-Mas não. Você já foi muito atrevida em matar um dos meus, me provocou, me desafiou. Você acha que eu vou me esquecer disso? Além do mais, eu já sei da sua fama de golpista. Você não é confiável. As suas manipulações não funcionam comigo, Miley.
-Como você sabe essas coisas sobre mim?  - eu levantei a voz, sem conseguir controlar o meu nervosismo.
- Digamos que alguém que te conhece o suficiente, já me deixou muito bem informado sobre você.
-O nome! Eu quero o nome! – gritei.
Eu o ouvir rir debochado, se divertindo com a minha ira. –Acho melhor você guardar um pouco do seu nervosismo. Muitas emoções ainda hão de vir, bella.
Sem paciência pros seus joguinhos psicológicos, joguei o celular contra o chão de concreto, que na mesma hora não resistiu ao impacto e quebrou. Os homens que me observavam tendo um ataque de fúria, pegaram as suas armas, se preparando para me expulsar dali. Chad, rapidamente em minha defesa, pegou a sua arma e apontou para eles.  Eu busquei a minha clock que estava no cós da minha calça, coberta pela jaqueta, e mirei a arma para os dois.
-Foi você quem matou o Bruno, não foi? – um deles perguntou, sem me tirar da mira da sua arma.
-Sim, fui eu. E vocês vão ser os próximos se não abaixarem essas armas agora.
-Nos deixem ir embora e ninguém sai ferido daqui. – Chad achou melhor intervir. –Nós só queríamos falar com o Petrova. Ela já falou. Pronto. Nós deixamos vocês com as suas vendas aí e vocês nos deixam ir embora.
-Ela é uma ameaça. –um deles apontou pra mim com a própria arma.
Eu destravei a arma em minhas mãos, pronta para atirar certeiramente na cabeça de um deles. Petrova merecia mais um pouco de provocação.
-Miley, nem pense! – Chad me repreendeu.
-Se você atirar, eu juro que você e seu amigo morrem. – o outro avisou.
                 -Pelo que sei, o chefe de vocês não mandou atirarem em mim. Mandou, por acaso?
                -Não. – o outro respondeu contrariado.
                -Isso mesmo, ele me quer viva. Ainda não sei pra que, mas ele quer. Então abaixem essas armas, que nós abaixamos as nossas.
                Ficamos praticamente um minuto observando uns aos outros, a espera de quem abaixava a guarda primeiro.  Até que um deles cedeu aos poucos e todos nós fomos nos distanciando e abaixando as armas.
                -Vamos logo embora daqui, Miley. Chega de confusão. – Chad disse entrando no carro.  Eu ainda encarava os homens que me não tiravam os olhos de mim. – Vamos, Miley. – Chad gritou, sem mais nenhuma paciência comigo.
                Eu entrei no carro e rapidamente Chad ligou o motor e arrancou o seu carro pra longe dali. Pude ver pelos seus dedos que as suas mãos apertavam o volante com força. Ficamos uns dois minutos em silêncio.  – Não era a toa que Steve pirava de raiva com você, sabia? Às vezes a sua teimosia ultrapassa todos os limites.
                -O que você quer que eu faça? – perguntei ainda tensa. – Fique sentada esperando as coisas acontecerem?
                -Eu quero que você controle a sua impulsividade! - continuou a falar alto - Você é mais inteligente do que isso. Você acha mesmo que ia conseguir alguma coisa indo ali e provocando esse mafioso e os homens dele?
                -Será que dá pra parar de falar desse jeito comigo?
                -Eu to falando desse jeito porque eu me importo com você! Provocar esse cara sem saber quais cartas que ele tem na manga só vai te colocar ainda mais na mira dele. Você não vê isso? Você não sabe os tipos de atrocidades que essas máfias fazem com quem enfrenta eles desse jeito?
                -Eu não tenho mais outra solução. – eu admiti.
                -Entra no jogo deles. Deixa eles pensarem que estão no controle. Enquanto isso observe os passos deles e as suas fraquezas. Depois você arruma um jeito de atacar. Era assim as suas estratégias de golpes, não se lembra? – ele tirou os olhos do transito e olhou pra mim. Percebi que o clima não estava mais tão tenso assim quando vi um sorriso se formar no seu rosto. – Acho que um ano te deixou um pouco enferrujada.
                Eu ri baixo e balancei a cabeça.
                -Eu não estou enferrujada, ok?
                -Claro que está! - ele continuou a sorrir e apoiou a sua mão na minha perna de forma carinhosa. – A única coisa que você não enferrujou é essa sua atitude toda.
                -Bom, acho que vou ter de desenferrujar, então.  E logo!
                -Por favor, Miley. Vamos passar uma semana tranquila, ok? Nick me deixou de babá e não quero que você me dê dores de cabeça. – ele disse com os olhos no trânsito, cheio de deboche. Eu dei um tapa no seu braço. – Ei, estou dirigindo!  

Dias depois, em Los Angeles ...
Nick Narrando
                Acordei preguiçosamente quando me dei conta já tinha dormido demais. Com certeza já era bem tarde.  Meu braço caiu para o lado para abraçar a cintura de Miley e acordá-la com um sussurro de bom dia, como eu quase sempre faço quando ela dormia demais.  Mas a cama estava vazia. Abri os olhos e me finalmente me dei conta que eu ainda estava em Los Angeles. 
                Então me pego pensando nela. Como se fosse alguma novidade não pensar na Miley. Mas me preocupava saber se ela estava bem e segura lá na Itália com toda confusão que aconteceu antes de eu ir embora. Eu sei que Miley não é nenhuma mocinha inocente em perigo. Ela sabe se virar. Mas com quem será que estamos encrencados? Até que ponto ela estará segura?
Isso não aconteceria se ela estivesse aqui, comigo. Imaginei como seria se as coisas fossem diferentes. Como seria se eu não tivesse que escondê-la sempre lá na Itália ou se eu não tivesse medo de admitir pra todos que eu estava com ela, que estávamos apaixonados verdadeiramente pelo outro. 
Mas as circunstâncias são outras. Aquilo nunca aconteceria e nós nunca poderíamos ter uma vida normal juntos. O meu pai a odeia. Ela odeia meu pai. Ela é uma fugitiva da polícia e nunca poderia voltar para Los Angeles outra vez.
                Mas então, meus devaneios foram interrompidos e decidi ligar para Miley para matar saudades.  
-Alô? – sorri ao ouvir sua voz inconfundível.
                -Bom dia, encrenqueira. – eu disse.
                -Bom dia pra você, mas aqui está de noite. – ela riu. – Eu te liguei algumas vezes hoje. Pela sua voz de sono, você estava dormindo, não é?
                -Estava, mesmo... E aí? Como estão as coisas? – perguntei.
                -Estão bem.
                -Bem mesmo? – perguntei preocupado.
                -Estão ótimas! – ela insistiu, então acreditei nas suas palavras.
                Conversamos por mais alguns minutos sobre Los Angeles, sobre a festa que aconteceu do meu pai e da Christine e sobre algumas novidades não muito importantes. Achei melhor ainda não comentar sobre o que aconteceu com Brian e Christine, então o assunto foi bastante leve.
                -E o que você tem feito de interessante aí? – fiquei curioso.
                -Então... – ela começou com um tom de voz que já a entregava. –Não fiz nada demais.             
                -O que você aprontou dessa vez? – eu perguntei desconfiado.
                -Bom... – eu ouvi a risada de Chad no fundo e a Miley riu logo depois. –Digamos que fomos dar uma volta na cidade vizinha com o seu carro. Já vou avisando que você pode correr risco de receber algumas multas, não muitas, de alta velocidade...  – ela foi deixando a voz mais aguda, como se fosse uma garota que tinha acabado de aprontar e que está se fazendo de inocente. Eu já sabia muito bem o quanto que ela é fissurada em adrenalina e as “não muitas multas” que posso receber, vão vir com toda a certeza e com razão.  – Eu te pago, prometo! Espero que não seja problema pra você.
                -Você fez o que?!
                -Ah, Nicky... Foi divertido!  Eu estava tão entediada...  E pra você ficar tranquilo, ninguém se machucou e não aconteceu nada de suspeito por perto. Foi completamente seguro, não foi, Chad? – Miley perguntou pro seu amigo que ouvi do outro lado da linha concordando com ela com um “aham”.  – Viu?
                Suspirei.
                -Eu só queria que você não ficasse se expondo por aí. Você sabe que as coisas não estão boas pro nosso lado.
-Nick, não aconteceu nada demais. Nem cheguei perto de alguém suspeito, relaxa.
-Tá... Pelo menos você está se divertindo. – respondi sentindo meu humor mudar de repente.
                -Estou mesmo. Só voltamos quando o sol estava se pondo e... – ela começou a falar sobre como foi seu maravilhoso dia com o seu melhor amigo perfeito e divertido, Chad.  Se eu estou com ciúmes? Sim, claro que estou. Eu queria estar lá com ela e ter passado esse dia com ela! Apesar de eu ter passado momentos assim com ela também, do jeito que ela contava parecia que comigo foi muito mais entediante. É claro. Os dois se conheciam há muito mais tempo. Sabiam se divertir juntos há muito mais tempo.
                Pode parecer meio egoísta eu estar incomodado com ela aproveitando tanto assim enquanto eu estou longe, mas foi impossível de não sentir ciúmes.
                Quando Miley acabou de falar sobre esse assunto, eu fiz logo questão de mudar pra outro.
                Ficamos conversando por mais alguns minutos. Eu tentei disfarçar o meu mal humor repentino depois da crise de ciúmes. Depois de algum tempo desligamos.     
                Deixei o celular na cama e decidi levantar de vez pra me vestir e descer. Talvez ocupar minha cabeça com outras coisas vai me fazer esquecer esse ciúme ridículo que surgiu agora.
                Depois da minha higiene pessoal e de ter me vestido, fui tomar meu café-da-manhã. Joe ainda estava comendo, mas Christine já havia acordado mais cedo e não estava mais lá, provavelmente ocupada com alguma coisa.  Meu pai também não estava no primeiro andar.
                -Que cara é essa? –Joe perguntou desconfiado pela minha falta de humor.
                -Nada... É só sono. – menti enquanto me sentava à mesa. – Onde está nosso pai?
                -Acho que está lá em cima, no escritório. Pelo visto está resolvendo alguma coisa importante. Chris me disse que ele está mais presente e participativo, tem tirado muitas folgas pra descansar. Mas ainda tem alguns compromissos cada vez mais discretos e esquisitos, que fazem ele ficar fora por alguns dias. –comentou.
                -Ele está bem estranho mesmo nos últimos dias... Eu queria saber o por quê.
                -Você acha que tem alguma coisa muito séria por traz disso? – Joe perguntou.
                -Eu não sei. Acho que sim... Ele está mais bem-humorado e participativo. Nós dois sabemos que é um workaholic desde sempre. Eu sei, tem alguma coisa no comportamento dele que está muito estranha.
                -Será que ele arrumou algum filho fora do casamento? – Joe se perguntou pensativo. Eu olhei estranho pra ele. – O que foi? É uma possibilidade!
                -Sem especulações! Pelo menos até eu conseguir sair da estaca zero, ok?
                -Você deveria ir lá em cima conversar com Paul. Apesar de você ter dado muita dor de cabeça pra ele, você ainda é o filho favorito. De repente ele te confidencie alguma coisa.
                -Obrigado pela parte da “dor de cabeça”. – eu ironizei antes de dar uma garfada na minha comida.
                -Mas é verdade.
                Nossa atenção foi desviada para Christine que havia acabado de descer as escadas com um sorriso no rosto e muito bem arrumada. Ela notou nossa presença e manteve o sorriso.
                -Bom dia!
                -Bom dia, Chris. Para onde você vai? – perguntei me fingindo de desentendido. Eu sabia muito bem que ela e Brian tinham marcado um encontro para hoje.
                -Vou visitar a casa de uma amiga antiga, da época do colégio.
                -Vai passar o dia inteiro por lá?
                -Hum, vou...  Ela não mora muito perto daqui e sabe, faz muito tempo que não nos vimos. - ela fez uma cara de inocente. Nunca imaginei Chris aprendendo a mentir desse jeito! Tentei segurar a minha vontade de rir.
                -Legal. Bom passeio pra você. – eu disse.
                -Obrigada! – ele mandou um beijo no ar para mim e o Joe. – Tchau, meninos. – e apressou os passos para a porta de saída.
                Depois do meu café de manhã pra lá de tardio, subi as escadas decido a tentar uma conversa sincera com o meu pai. Antes de bater na porta do escritório, tentei me aproximar mais da porta para ouvir sobre o que ele tanto falava ao telefone. Consegui ouvir o nome do advogado pessoal do meu pai.
                -Olha, eu não posso esperar mais do que isso! Preciso que você adiante algumas coisas pra mim. Nick e Joe estão em Los Angeles por pouco tempo. Não posso resolver isso agora pessoalmente... Não importa! Você precisa convencê-lo a pelo menos ler as papeladas... Tentei, mas ele não quer... Eu não posso contar para os meninos agora, nem mesmo Christine sabe. Eu quero pelo menos resolver esse problema agora. Se eles souberem agora, tudo será mais complicado.
                -O que eu não posso saber? – eu entrei se supetão no seu escritório e meu pai levou um susto tão grande que quase deixou o telefone cair da sua mão.
                -Nicholas, você por acaso estava ouvindo por trás da porta? – ele perguntou ainda agitado.
                -Pai, o que o senhor está escondendo de mim e de Joe? – eu me sentei em frente a sua mesa.
                -Não é nada...
                -Se está escondendo, então é alguma coisa. – eu disse. Ele dispensou o seu advogado rapidamente no telefone e desligou o aparelho.
                -Bom... –ele soltou um suspiro cansado. - São projetos da empresa, que talvez, se eles derem certo, possam envolver vocês. Algo relacionado estratégia de marketing com a imagem de vocês... Eu sei que seria difícil de vocês toparem, mas a minha preocupação maior agora é conseguir resolver problemas maiores de burocracia para conseguir uma parceria com outra empresa. Nada está certo... Por isso não quis contar a vocês ainda.
                Eu balancei a cabeça afirmativamente, não muito certo sobre decidir acreditar ou não na sua resposta.
                -Certamente eu não aceitaria. – eu respondi. –Não estou muito disposto a ser algum tipo de ferramenta de estratégia de marketing. Desculpa, pai.
                -Nick... – ele apoiou seus antebraços sobre a mesa, seu rosto mais próximo de mim. Não de um modo impositivo, como eu estava acostumado, mas carregando um olhar de curiosidade. – Hoje em dia, você pensa na possibilidade de chefiar a nossa empresa?
                -De estar no seu lugar? – perguntei e ele balançou a cabeça positivamente. – Eu... eu não sei. – respondi sinceramente. Há um bom tempo não tinha muita certeza de como seria meu futuro. Então me lembrei de Miley na Itália. – Acho que não.
                Ele balançou a cabeça em afirmação ao ouvir a minha resposta. Ele parecia decepcionado, o que não foi uma surpresa.  – Faça o que te fizer feliz, filho. Não se sinta pressionado por mim. – Ok, agora a surpresa me atingiu em cheio.
                -Estranho ouvir isso de você. – eu comentei. – Não é de agora que notei que certas coisas nessa casa estão... diferentes.
                -Você passou tempo demais longe. –ele deu um sorriso discreto. – Talvez seja por isso o estranhamento. Ou talvez passou tempo demais olhando as coisas por outra perspectiva.
                -Definitivamente, as coisas mudaram e você também, principalmente. 
                -Espero que isso não seja uma coisa ruim. – ele disse.
                -Eu também.
                -Bom, mudando de assunto... Amanhã vamos receber a família Culpo aqui em casa. Eu queria que você estivesse presente.
                -Ok. – eu disse.
                -Soube que você fez amizade com a Olivia. –ele comentou sorrindo.
                -É... Ela é bem legal.
                -Por que você não dá uma atenção maior pra ela amanhã? – senti um tom sugestivo quando ele disse “atenção maior”. –Susan chegou a comentar com Christine que ela parecia estar bastante interessada em você.
                -Pai, o que já falei sobre suas tentativas de arranjar relacionamentos pra mim? Deixa que eu decido, ok?
                -Tudo bem. Só foi uma sugestão. Quem sabe, né? Não faz mal dar uma chance para ela. Ela é uma linda moça.
                -Pai, esquece. Logo, logo voltarei pra Itália. Deixa isso pra lá.
Christine Narrando
                Enquanto eu dirigia pelas ruas desconhecidas de um bairro mais distante, meu coração não parava de bater absurdamente rápido em meu peito. Nervosa era pouco para me definir agora. Só do caminho de casa até aqui cogitei umas três vezes desistir e voltar para casa. Com certeza eu perdi todo o meu juízo quando topei ir a um encontro escondido com o Brian.
                Avistei o seu carro parado no ponto de encontro que combinamos. Brian escolheu esse bairro mais do subúrbio da cidade, me garantindo que ninguém que me conhecesse estaria perambulando por lá. Apesar de que na minha cabeça está sendo constantemente me perturbando a voz na minha consciência, eu acabei confiando e topando. Estacionei o meu carro logo atrás do seu.
                Brian saiu do seu carro quando notou a minha chegada. Ele estava com aquele sorriso irresistível no rosto. Se escorou de lado na lataria do seu carro, me esperando tomar coragem para finalmente sair do meu. Desliguei o motor, saí do meu carro e fui até a sua direção.
                -Brian, eu não posso demorar demais nesse encontro. – eu caminhei em sua direção tagarelando. - A família toda está lá em casa e não quero deixar nada suspeito. Ainda mais que eu saí sozinha e vou ficar um dia inteiro fora, supostamente. – Brian se manteve quieto me observando. - Você tem certeza que o lugar que está planejando ninguém conhecido estará por perto? Não acho uma boa ideia lugares muito cheios...
                -Você está tão linda. – Brian ignorou totalmente o que eu acabei de falar. Sua mão acariciou a minha bochecha e logo depois jogou o meu cabelo pra trás do meu ombro. Sua tranqüilidade absurdamente contrastante com a minha ansiedade. Seus olhos esverdeados me analisando de uma forma tão amável, que cheguei a perder a linha de raciocínio.
                Por alguns segundos deixei a minhas preocupações de lado e foi o suficiente para o meu corpo responder de imediato ao que eu realmente queria. Talvez com um pouco mais de desespero do que deveria, beijei a sua boca e meus braços foram em direção a sua nuca e o puxei pra mais perto do meu corpo. Senti suas mãos alcançarem a minha cintura e a minha língua finalmente tocar a sua. Tarde demais para voltar atrás. Eu já estava completamente apaixonada.

Na Itália...          
Miley Narrando
               
                Já era noite e eu Chad já estávamos em casa descansando um dia agitado. O convenci de sondar mais um pouco pela cidade para eu encontrar algo de suspeito, mas estava tudo  completamente normal e tranqüilo, como sempre foi por aqui. Por dentro aquilo me deixava cada vez mais intrigada e ansiosa. É claro que está pra acontecer algo, mas me tira do sério o fato de não estar no controle das coisas e ter que simplesmente esperar. Depois de muito tempo sem muita novidade, treinamos um pouco. Especialmente tiro ao alvo.  Então anoiteceu e decidimos descansar, fazer nada e botar papo fora enquanto comemos alguma besteira.
Estava passando um programa bobo na TV e nos divertíamos com bobagem que assistíamos. Eu e Chad dividíamos uma pizza que estava quase acabando sobre a mesinha de centro.  Eu peguei minha garrafa de refrigerante e tomei um gole, sem tirar os olhos da televisão. Mas pela minha visão periférica, pude notar que Chad não estava olhando pra a TV, como eu. Ele estava fitando diretamente pra mim.
-O que foi?  - perguntei, me virando pra ele.
Seus olhos verdes desviaram o olhar para a cerveja em sua mão, para então voltar pra mim mais uma vez. Chad abriu um sorriso discreto por um breve momento.
-Faz muito tempo que não fazíamos isso. Estava sentindo falta. – ele disse. Eu sorri, compartilhando o mesmo sentimento.
-É mesmo... A gente tem que voltar a fazer isso mais vezes. – eu respondi.
-Acho difícil isso acontecer de novo. – ele respondeu um pouco desanimado.
-Por quê?
-Até parece que passaríamos tanto tempo juntos desse jeito com o Nick por perto. – ele respondeu ainda um pouco sério.
                Eu ri, não acreditando no que o Chad acabou de falar. – Sério mesmo que você acha que o Nick atrapalha a nossa amizade? 
                -Eu não sei se a nossa amizade, mas atrapalha muita coisa. – Chad dessa vez continuou a me encarar mais intensamente. Aquela frase me incomodou bastante.
                -O que você quer dizer com isso? – eu perguntei, sem tentar esconder a indignação em minha voz.
Pelo seu semblante, ele não gostou do meu tom. – Deixa pra lá.
-Chad. – o chamei, insistindo que ele falasse.
-Se não fosse por ele, talvez as coisas fossem diferentes. – ele admitiu.
-Ou talvez não. – eu respondi firme. – Eu estou cansada de te explicar as mesmas coisas.
-E eu estou cansado de te ver com ele e ter que agüentar isso. De ter que me esforçar pra ter o mínimo de atenção sua, enquanto sua vida gira toda em torno dele.
-Não é assim que eu quero que você se sinta.
-Acho que está cada vez mais difícil de manter essa amizade. – ele disse sincero.
-Chandler, por favor... Não dificulta as coisas.
Ele não quis mais responder. O silêncio entre nós pairou naquele momento. O barulho da TV, que agora ignorávamos, era o único som naquele ambiente. Ele me encarava aborrecido. Será mesmo que a nossa amizade é completamente diferente quando Nick não está por perto? Se for, com toda a certeza não é culpa dele. Talvez a nossa, por esconder tantas coisas dele. 
-Nick ainda não faz ideia sobre o que aconteceu entre nós dois no passado, né? – Chad perguntou.
-Nem desconfia. – respondi. –E acho melhor ele não saber. – eu balancei a cabeça.
-Você acha que ele reagiria mal? – ele perguntou e eu balancei a cabeça afirmativamente.
-Por isso esse assunto deve ser esquecido. - eu respondi.
-Se ele confia tanto em você, por que você acha que ele não deve saber? Ele já sabe de tanta coisa sobre você.
-Os outros casos que eu tive, que ele sabe, são pessoas de fora. Com você é diferente. Ainda tenho contato com você, somos próximos.
-Já que ele não vai saber do mesmo jeito, – ele brincou com o meu cabelo, se aproximando de mim. Chad colocou uma mecha atrás da minha orelha, fitando o meu rosto. – Por que não tentamos nos aproximar mais? – ele se aproximou ainda mais – Ao menos tentar. Ninguém vai saber...
                -Chad, isso... – minhas palavras foram interrompidas por um beijo seu. Mas não durou por muito tempo. Eu o empurrei o suficiente para sua boca se afastar da minha. – Eu já deveria prever que isso não daria certo de qualquer jeito.- me referi sobre a ideia dele ficar aqui comigo sozinho em casa. – Parece que você não consegue entender o que eu tenho com o Nick não tem espaço para outra pessoa ou algum tipo de traição.
                -Talvez você esteja certa, mesmo. Talvez isso não daria certo de qualquer jeito. – senti que ele se tratava da nossa amizade. O seu tom de voz estava mais ácido. –Você nem deveria ter ficado com Nick para começo de conversa.  Aliás, por quanto você acha que isso que você tem com ele vai durar? – aquilo realmente me atingiu em cheio.
                -Pega as suas coisas e vai embora. – eu disse firme e ríspida a poucos centímetros do seu rosto.
                Enquanto ele nutrir esse tipo de sentimentos por mim, a nossa amizade nunca vai fluir normalmente. Ele precisa saber que não tem chance nenhuma de ficarmos juntos e ficar distante pra nos dar espaço.
                Chad finalmente se tocou a dimensão das suas palavras recém ditas e pareceu se arrepender. Ele fechou os olhos e suspirou. – Deixa isso pra lá, Miley. Eu não tive a intenção de dizer o que eu disse.
                -Teve sim.
                -Deixa isso pra lá, Miley. – ele me respondeu ainda impaciente. - Eu preciso estar aqui com você, pra garantir que você vai estar em segurança.
                -Eu não preciso ser protegida. Vai embora!
                Ele continuou me encarando esperando que eu mudasse de ideia.
                -Eu estou falando sério. Vai embora! – eu disse mais alto.
                Ele seus olhos transmitiam decepção, mas certamente não menos decepção do que eu sentia. Ele sabia sobre o que eu achava sobre isso, ele sabia o quanto eu me sentia desrespeitada quando ele não sabe lidar com as minhas escolhas. 
                Chad não disse mais nada. Apenas se afastou de mim, sem tirar os seus olhos nos meus até que tivesse de se virar e ir em direção ao quarto onde estava hospedado. Ele subiu as escadas em silêncio, mas em passos pesados.  Em poucos minutos ele saiu, carregando a sua mala e indo embora sem se dirigir uma sílaba se quer para mim. A porta da entrada da casa bateu forte atrás dele, depois que Chad foi embora.

No dia seguinte, em Los Angeles...
Nick Narrando
               
Willian riu de algum comentário do meu pai, enquanto todos conversavam à mesa farta de comida. Pelo visto, a família Culpo se deu muito bem com a nossa. Willian e Paul são amigos de longo prazo e parecem muitos satisfeitos por estarem convivendo juntos novamente. Quando o meu olhar alcançou Olivia no outro lado da mesa, ela me olhou intensamente e abriu um sorriso. Educadamente, retribui o sorriso. Me senti um pouco mal por parecer que estou dando esperanças à ela. Ainda mais que as nossas famílias durante toda a tarde tentavam jogar um verde para mim.
Depois do almoço e da sobremesa, todos se espalharam pela grande casa. Eu fui para parte aberta da casa, onde fica o jardim e a piscina junto com a Olivia e seus irmãos, com exceção da Aurora que está por algum canto da casa recebendo flertes de Joe, que nunca perde tempo.  Todos eles parecem bem legais, então nos damos bem rapidamente.
Estávamos conversando sobre baseball, principalmente eu e Gus, que também é muito fã do esporte, quando Sophie nos interrompe.
-Gus, por que você não vem comigo ali dentro?Acho que mamãe está nos chamando para alguma coisa. – ela disse antes de trocas olhares cúmplices com Olivia.
-Mas agora? – Gus perguntou.
-Agora. – ela respondeu entre os dentes, deixando obvio pra ele e pra todos nós a sua intenção de me deixar a sós com a sua irmã.
Os dois saíram e Olivia riu tímida. –Minha irmã mais nova, definitivamente não sabe disfarçar. Desculpa por isso. – eu achei graça.
-Sem problemas.
-Sabe... – ela mordeu o seu lábio inferior, um pouco nervosa. – Eu gostei de você desde o momento que te conheci. Estava pensando se talvez pudéssemos trocar os números de telefone para poder nos “conhecer melhor” e talvez marcar você me mostrar os melhores lugares de Los Angeles...
-Eu não posso. Quer dizer, não da maneira que você espera. –eu respondi, tentando ao máximo buscar melhores palavras sem que a magoe ou que envolva a Miley. –Não é nada com você. Você é uma pessoa incrível, mas...
-Você está namorando? Se for desculpa, eu pensei que estava solteiro.
-Não! Quer dizer, estou solteiro. – tive que lembrar que meu pai acha que não estou com ninguém. – É complicado... Emocionalmente complicado.
-Tem outro alguém envolvido? – ela ousou a perguntar e eu balancei cabeça positivamente.
-Meu pai não sabe, por isso ele estava tentando nos aproximar... 
-Tudo bem, eu entendo. – ela sorriu docemente para mim.
-Sério?
                -Sim. E obrigada por ser sincero comigo. Geralmente os homens que apareceram na minha vida não tinham esse costume. – ela admitiu.
               
Dias depois, na Itália...
Miley Narrando
                Terminei de organizar mais uma leva de caixas na antiga garagem da casa. Limpei o suor da minha testa. Hoje foi um dia e tanto para organizar essa bagunça desse depósito. O céu já estava escuro, então decidi terminar só os últimos detalhes e tomar um banho.
                Sozinha em casa e sem nada de interessante para fazer, decidi colocar algumas coisas em ordem. Especialmente essa garagem velha que estava um completo caos. Pelo menos agora, aqui pode ser um lugar mais útil para tarefas mais pesadas.
                Sim, estava sozinha aqui desde que expulsei Chad. Não voltamos a nos falar desde então. Ainda não consegui perdoá-lo pela sua atitude e as suas palavras e ele sabe disso, por isso não se deu o trabalho de entrar em contato comigo.
Os dias se passaram tranqüilos, sem nenhuma ameaça ou situação suspeita.  Achei  muito estranha toda essa calmaria, por isso sempre estou alerta.
Hoje seria o dia em que Chad iria embora daqui e voltaria para sua casa de noite, se não tivéssemos nos desentendido. Amanhã Nick vai voltar para casa, finalmente. Não agüento por esperar para beijar a sua boca de novo e sentir o seu cheiro que me tira todo o autocontrole. Nem imaginei que pudesse sentir tanta falta assim dele, por nem duas semanas fora.  Fiquei tão mal acostumada com o nosso convívio diário, que ficar esse tempo longe me faz sentir falta até dos pequenos detalhes.
Subi a escada para colocar a ultima caixa na prateleira e desci soltando um suspiro de alívio.
Senti um par de mãos masculinas apertarem os dois lados do meu quadril e me puxar para me chocar contra o seu corpo. Antes que minha mente pudesse raciocinar sobre quem poderia ser, instintivamente me virei com rapidez empurrei o homem contra a parede e saquei o estilete que estava no bolso do meu short e apontei em sua direção. Nick abriu um sorriso travesso.
-Nicholas! – eu disse com um misto de reprovação e surpresa. – Isso não se faz! – mas não consegui manter a pose de durona para lhe dar alguma bronca sobre o susto que me deu, pois logo depois não pude controlar o sorriso que escapou de meus lábios.
-Surpresa. – ele disse ainda encostado na parede. –Estava sentindo falta da minha encrenqueira e não pude resistir em chegar o mais cedo que pude.